Plástica
A estética dos ajustes por Dua Araújo
Outro dia me deparei com uma de minhas inúmeras vidas passadas.
Daquelas que nos fazem sentir falta de um tempo em que ainda se tinha cheiro de inocência.
De aniversários recentes para cá, tenho visto com maior clareza o alto volume de plástica.
Lá estava eu.
No corredor de um encontro internacional, cercada de gente conhecida. Habitávamos a mesma selva.
Mas, por um instante, algo não me alcançava ali.
Observando.
Medindo cada sorriso no rosto daquelas mesmas pessoas.
Estranhando.
É curioso como a gente perde certos fios.
E, com eles, certos laços se desfazem.
A história se repete.
Basta mudar de turma.
De empresa.
De contexto.
E algo se desfaz sem aviso.
Não por falta de memória.
Não exatamente por falsidade.
Mas por ajuste.
Por utilidade.
Talvez seja isso que venho observando.
Os contornos.
Uma harmonização aqui.
Um alinhamento ali.
Pequenas correções que aos poucos deixam tudo mais apresentável.
Um contato certo.
Um nome útil.
Uma conversa conveniente.
Suficiente.
E então fica a dúvida — quase baixa, quase sem forma —
se o que chamamos de encontro não tem sido apenas a plástica dos relacionamentos.

